Era uma vez uma menina que cresceu feliz junto do pai, da mãe e do irmão. A família, modesta e trabalhadora, vivia numa parte de casa arrendada em Lisboa, pois o dinheiro não abundava nos primeiros anos dos garotos. A mãe era empregada doméstica e o pai era empregado do Estado.
Quando a menina tinha cinco anos mudaram-se para uma vila da periferia da capital e foram finalmente viver, só os quatro, para uma casa alugada e novinha em folha.
Os tempos da Escola Primária passaram descontraídos com a mãe a ajudar, apesar da pouca escolaridade, a ultrapassar algumas dificuldades das matemáticas e a Secundária voou no meio de muitas pegas e arrelias com o pai, principalmente pela insistente conquista do seu espaço de adolescente e de alguma liberdade.
Enfim, quando a menina deu por si já estava a trabalhar com quinze anos acabadinhos de fazer, a casar aos dezoito e a ter uma linda filha aos vinte.
Os primeiros sete anos foram felizes mas ao oitavo uma nuvem pairou sobre a relação e as coisas deram para o torto. Foram dias difíceis em todos os aspectos mas tudo se foi compondo pois o tempo é um bom conselheiro e um óptimo amigo.
Um novo e grande amor, uma filha que crescia à velocidade dos ventos ciclones, o desejo de regressar à escola aos vinte e oito, a Faculdade até aos trinta e seis e “zás, trás, pás” licenciatura feita, mudança de carreira e a chama da paixão sempre acesa.
Mas não há bela sem senão e a história de desencontros e desamores repete-se. A menina, então mulher de quarenta e seis anos atravessou um período muito duro da sua vida: a filha do outro lado do mundo, a mudança do seu espaço físico de referência diária, o reaprender a viver só enfim, digamos que não foi fácil.
À beira dos cinquenta e ainda a acreditar em contos de fadas, vejamos o que o futuro lhe reserva. Uma nova história de encantar seria uma bela ideia …
Beijos, da Princesa