Friday, December 28, 2007

2007: O Balanço ...


Mais um final de ano que se aproxima...
Não, não vou falar do Mundo, nem de Política, nem de Economia, talvez devesse mas, desta vez só vou falar de momentos do "meu ano"...
Posso afirmar que neste 2007 me sinto quase obrigada a fazer um Balanço pois foi um ano "particularmente" bizarro, com muitos bons e muitos maus momentos.
Comecei bastante mal … zangada com a Vida e zangada comigo mesma. Confesso que fiz um esforço supremo para apaziguar a minha alma perdida e para suavizar alguns momentos particularmente difíceis. Foi um primeiro semestre "duro de roer" em termos de vivência pessoal e cabem ao Yoga e ao Desporto o papel de santos milagreiros que me ajudaram a "voltar a página" e para não ser modesta demais, talvez aquele meu "mau feitio" tenha ajudado um bocadinho...
O início do Verão marcou, igualmente, o início da maior decadência física e mental da minha mãe e, também, o segundo semestre do ano foi dolorido e termina com a sua morte a 20 de Dezembro passado.
Agosto e Setembro foram os meus meses de eleição! Vivi a alegria de ter a Vanessa perto de mim e usámos e abusámos do prazer de estar juntas. Independentemente da proximidade ou da distância física que habitualmente nos separa, vivemos intensamente aquele precioso mês e meio em que celebrámos todos os dias o amor que nos une.
As amizades de sempre mantiveram-se sólidas e de boa saúde e tudo aponta que assim irão continuar, por muitos e bons anos.
Profissionalmente foi um ano de muito investimento pessoal e poucos resultados realmente práticos. Espero que tenha lançado algumas sementes para 2008...
Para já está planeado o início das aulas de Espanhol a 23 de Janeiro, das 08:00 às 09:25!!!!
Andaré, andaré... Arriba! Arriba!
Et l’Amour??? Ah… l’Amour, c'a c'est une autre chose!!!!
Vá, confessem que estavam a achar estranha a ausência de comentários sobre este tema... (até pareciam a "outra piquena" que já andava "embuchada" para fazer a pergunta há algum tempo, eh, eh, eh...)
Bom... o Amor, finalmente parece estar bem de saúde e recomenda-se, a todos os mortais e imortais!
Beijos,
da Princesa

PS - Este foi também o ano da morte do "icon da Taverna", a gata Carlota!

Wednesday, December 26, 2007

O meu atleta...

O meu querido Rodrigo está aí para as curvas, bom muito sinceramente penso que está aí para as curvas e para as retas, eh, eh...
É que o chavaleco tem paixão pelo Atletismo e adora correr. Tudo indica estar a levar a modalidade muito a sério e não falha os treinos.
Saído de uma lesão muito recente (fractura na rótula) está a recuperar muito bem e já entrou de novo em provas desportivas.
Aqui ficam duas fotos para verem o "estilaço" do meu novo herói!
Tudo indica que vou ter o meu lugarzinho à beira da piscina, não é Rodrigo?
Beijos,
da Princesa

Tuesday, December 25, 2007

Apontamentos...

Mais uma Consoada, mais um bacalhau com couves, mais uma reunião de família e os vários quadros impressionistas que consegui captar ao passar o olhar.
A Menita a falar com a Vanessa pela Internet, através do Skype... "Olha que giro!!!! Isto é muito engraçado!!!"
A Tia Etelvina a comentar... "Ai tanto colestrol numa só noite!!!"
O Gui a batucar com as mãos ... "Já ouviram esta? O Natal é uma festa, Yoh! Vamos todos já cear, Yoh!"
A Mafalda a falar tanto que até doem os ouvidos... "Sim tia! Tábém tia! Uuhhmmm..."
O Filipe a perguntar... "Alguém quer um cafezinho?"
O Sr. Manel a dizer..."Um bagacinho, daquele da garrafa com a boneca"
O Fernando a dormir no sofá... "Acorda Fernando!Esta é p'ra ti!", "Ãh, ãh? Sim, sim..."
Pois é, o Natal é feito destas coisas e sobretudo de muito amor e carinho.
Beijos,
da Princesa

Friday, December 21, 2007

A mãe

A relação que tive com a minha mãe em vida foi-se solidificando profundamente ao longo dos anos. O que era "guerra" na minha juventude e na minha breve adolescência foi tomando diferentes contornos ao longo das décadas que se foram passando, sendo que os últimos vinte anos foram especialmente ricos em termos de entre ajuda e cumplicidade.
Além de tudo o que me proporcionou durante a minha infância, em muitas circunstâncias com bastante sacrifício pessoal, devo-lhe uma preciosa ajuda afectiva e também financeira pois construiu a casa que eu e o irmão temos hoje. Devo-lhe, também, o apoio que deu à Vanessa enquanto fiz a minha Licenciatura de Sociologia à noite e o facto de nunca me ter criticado ou cobrado decisões de vida que tomei, fossem elas mais ou menos convencionais, mais ou menos polémicas.
E porque a admirei sempre por tudo isso procurei, muito em especial nestes últimos cinco anos em que mais precisou de mim, dar-lhe tudo o que pudesse facultar-lhe uma existência mais tranquila e uma melhor qualidade de vida. Dei-lhe sobretudo a minha presença constante, o meu amor e o meu carinho sinceros e penso que talvez isso tenha, também, contribuído para este penoso prolongamento da sua vida.
Aqui declaro muito do que sempre amou na vida para além da Vida em si mesma, pela qual era verdadeiramente apaixonada:
- Os filhos
- Uma bela gargalhada
- Uma cusquice "inocente", pelo prazer da novidade
- Animais, principalmente gatos
- Flores, principalmente rosas
- Uma bela sopa, principalmente de legumes ou de feijão
- Peixinho, principalmente carapaus grelhados
- Fruta, principalmente manga e quiwi
- Cuidar do quintal
- Fazer renda
- Juntar uns trocos, para o que desse e viesse

Finalmente a guerreira descansou e partiu para outra vida, no final da tarde de ontém.
Deixo-lhe como homenagem final este meu texto muito sentido e uma poesia de Sofia Mello Breyner Andresen:

Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais

E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.

Biografia
- Nome, Maria Julia de Brito Santos.
- Portuguesa, nascida a 27 de Setembro de 1918, no Lugar de Chamosinhos em S.Pedro da Torre, Valença do Minho
- Pastora até ao início da sua adolescência, trabalhou no campo desde os cinco anos de idade
- Saiu de casa aos dezoito anos, zangada com a mãe e com a vida de escrava que levava; partiu para Lisboa para trabalhar como criada interna, na casa de um casal de advogados.
- Foi cozinheira em várias casas particulares e restaurantes
- Encontrou o meu pai já "tarde" e decidiram viver juntos por volta dos seus 36 anos de idade.
- Teve a primeira filha com 38 anos (eu) e o segundo filho com 39 anos (o meu irmão Rui)
- Vivemos todos em Lisboa numa parte de casa alugada, até aos meus cinco anos de idade e em 1963 mudámos para a Amadora, para viver numa nova casa alugada (só nossa).
- Trabalhou em várias casas particulares como empregada doméstica até cerca dos 55 anos e, simultaneamente, fazia e vendia salgadinhos para vários Restaurantes e Pastelarias da Amadora e de Queluz; foi com esse rendimento extra ao salário do meu pai que conseguiu realizar o seu eterno sonho, comprar um terreno e construir uma casa.
- Mudou-se para a sua vivenda própria, com o meu pai e o meu irmão (eu já tinha casado), na segunda metade dos anos setenta.
- Viveu sempre intensamente, sempre com espírito de sacrifício mas com muita alegria;
- A partir dos sessenta anos superou vários problemas de saúdes graves: um cancro, uma operação complexa a uma artrose na anca, três acidentes vasculares cerebrais (detectados a partir dos 83 anos), um acidente vascular circulatório, a cegueira, a artereosclerose e uma pneumonia em 2006.
- Após resistir duas semanas a uma nova pneumonia e a uma insuficiência cardíaca, morreu no final da tarde de ontem, 20 de Dezembro de 2007, no Hospital Amadora-Sintra.

- Frase mais célebre: "Quem disse que Deus dá o frio conforme a roupa? Esse provérbio está errado! Ainda me lembro do barulho que faziam os meus dentes a bater quando estava a tiritar de frio ao caminhar no Inverno sobre a neve, só com um vestidinho fino em cima do pelo e umas socas de madeira nos pés, sem meias!!!"

- Algumas "rebeldias", além da fuga para Lisboa, em 1936, com a sua "valise de carton":

Na infância: Atava várias latas aos costados das cabras que pastava e ficava a rir que nem uma louca com o barulho que faziam ao descer, assustadas, as encostas rochosas da serra onde pastavam (sempre que nos contava esta traquinice partia-se a rir, quase sem fôlego, e os seus olhos brilhavam...)
Na adolescência: Fiava às escondidas da mãe, durante vários dias, as rocas da lã das ovelhas tosquiadas por ela e ia esconde-las fundo da cesta da ceia que levava para as noites de serão, onde havia sempre bailarico. A ideia era ter tempo para dançar toda a noite com o alfaiate da aldeia (que segundo ela dançava muito bem) e trazer para casa o "árduo trabalho das rocas fiadas ao serão", eh, eh, ...
Na juventude: Dava trolha a todos os gajos que se metiam com ela na rua e desde a estalada, ao murro e à canelada, valia tudo... Houve um desgraçado que até levou com água suja de lexívia, proveniente do balde com que lavava a escada interior do prédio onde trabalhava.
Não é por nada mas a Maria Júlia aos vintes era linda de morrer e o pessoal masculino não devia resistir a mandar-lhe uns piropos!!!!
Na velhice: Há cerca de dois anos, quando já não conseguia caminhar sem a ajuda das muletas, levantou-se da cama do Lar a meio da noite sem o auxílio destas e gritou pela empregada. Quando chegaram junto dela, estava de pé em perfeito equilíbrio, muito direita e sem o amparo das muletas.
Ao aperceber-se que alguém já estava junto dela gritou: "Aqui ninguém manda em mim! Eu faço o que quero!" É que nesse dia eu tinha-a criticado pelo facto de nem sempre querer jantar na mesa do refeitório e preferir que lhe trouxessem o tabuleiro até à sala, para não ter que se deslocar.

Thursday, December 20, 2007

As amigas ... e o Natal

É que não podia mesmo deixar de ser... um jantarinho com as amigas para nos vermos antes do Natal e Ano Novo.
A Elsa apresentou-se versão "Mulher Diesel" e a Cristina versão "Caixa d' Óculos - Novo Modelito". Eu, muito sinceramente, não se me ocorre nada de especial para o meu aspeto de ontem, talvez me arrisque a uma versão "casual light".
A amizade tem destas coisas, podemos dizer algumas barbaridades à vontade que não corremos o risco de apanhar com os tomates ou hortaliça podre, quando vamos a passar.
A conversa foi animada e o Fernando ajudou bastante (não é difícil imaginar porquê)...
Juntaram-se a nós o Lourenço, o Joaquim e o amigo americano, John. Também eles entraram na onda da conversa e as piquenas já levaram para casa, todas felizes, o livro "Oscar, o Camaleão", autografado pelos co-autores. Eh, eh, ... Grande pintarola!
Não há dúvida que as conversas bem animadas e os sorrisos abertos são como os coelhinhos ... é isso mesmo que estão a pensar, multiplicam-se muito rapidamente (nunca percebi porque dizem que são como as cerejas, pois para mim os coelhinhos fazem mais sentido e se pensarmos bem, talvez até as tartarugas ...).
Até já queridas amigas e mais uma vez Boas Festas!
Beijos,
da Princesa

Wednesday, December 19, 2007

"Call Girl", hot, hot, hot...



Foi ontem, no cinema S. Jorge, a ante-estreia de "Call Girl", o mais recente filme de António Pedro Vasconcelos.
Uma história muito engraçada que se desenrola a partir de um guião e enredo bastante bons.
Soraia Chaves (a puta dominadora), Nicolau Breyner (o político corrupto), Ivo Canelas (o bofia incorruptível) e Joaquim de Almeida (o bandido mau da fita) são os personagens que mais se destacam de todo o elenco, embora o conjunto geral de todos os actores e actrizes seja bastante bom, mesmo nos papéis de menor destaque, como por exemplo a "agarrradinha" e o "ministro".
O senso de humor está quase sempre presente e a banda sonora de Luis Cília é muito bonita, com algumas das canções cantadas por Paulo Gonzo, a encaixar na perfeição da história.
A linguagem empregue não será a mais recomendável para falar a nossa língua mãe mas, segundo dizem as más línguas é assim que o pessoal da bofia e da política de bastidores fala!!!!

Sinopse
Maria, uma «call girl» de luxo, é contratada por Mouros para seduzir Meireles, presidente da câmara de Vilanova, na tentativa que este autorize uma multinacional a construir um empreendimento turístico de alta qualidade. Entretanto, Madeira e Neves, polícias da PJ, descobrem os indícios de corrupção e começam a investigar Meireles. Tudo se torna ainda mais complexo quando Madeira descobre que Maria, a paixão da sua vida, é o isco que obrigará o político a ceder...
(Fontes: http://www.mgnfilmes.pt/ e http://cinema.ptgate.pt/)

É cinema português de boa qualidade e estreia a 27 de Dezembro próximo nas nossas salas.
Vão ver que vale a pena.
E como diriam os bofias da PJ (o Madeira e o Neves), "Foda-se! Isto é um filme do caralho!"

Beijos,
da Princesa

Tuesday, December 18, 2007

Não é possível resistir... ao Natal

Mesmo que à alma não apeteça, o Natal acaba sempre por nos contagiar, mais ou menos, independentemente da nossa vontade. Às vezes são as pequenas coisas ou os pequenos gestos que nos levam a embarcar nesta viagem, quase mágica.
Ontem, fiquei muito feliz porque ajudámos um amigo a montar a Árvore de Natal e também a iluminar o exterior das janelas da sua casa. Isto não teria nada de especial se não tivesse percebido a sua alegria. É que este ano tem um novo ânimo e sente-se que encontrou, de novo, o espírito de família há algum tempo perdido...
Bom, agora para animar aqui fica um grande e insólito Merry Christmas para todos, apresentado pelo menos conhecido, Black Santa!!!!

http://www.bootlegcomedy.com/

Beijos,
da Princesa

Friday, December 14, 2007

A revolta...

Sempre que a vida não corre... a tendência imediata é a revolta. Paciência, não há volta a dar pois a revolta é um sentimento que habitualmente nos visita sempre que a nossa impotência se manifesta perante determinadas situações, ou circunstâncias, para as quais não encontramos solução.
E lá se coloca a tal pergunta da prache - Porquê estar a passar por isto? Porquê eu?

Hoje escolho Pessoa para escrever, por mim e para mim.

"Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental - uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto - que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo.
O absurdo da frase falará por mim." (extracto de carta a Mário de Sá Carneiro, in Livro do Desassossego)

Beijos,
da Princesa

Thursday, December 13, 2007

Está friiiioooo lá fora!!!

Apesar de ser mulher de signo Leão, amante de calor e de Sol sou igualmente fã deste frio seco que nos está a dar de presente este Dezembro 2007.
Hoje saí de casa às 06h:40m da manhã. O termómetro do carro manteve-se sempre a piscar - sinal de risco de queda de neve - indicava a bela temperatura de 3ºC e, confesso, que há algum tempo não me sabia tão bem usar uma écharpe de caxemira, em volta do pescoço.
Para mim, uma das grandes belezas do tempo frio é a sensação que nos transmite o uso de cachecóis, luvas, camisolas e casacos de lã, muito quentinhos. É quase como se alguém estivesse aqui para nos abraçar e nos envolver suavemente nos braços, até nos aquecer o corpo e a alma.
Beijos,
da Princesa

Tuesday, December 11, 2007

Memórias distantes, pensamentos constantes


- Mãe! Não sou capaz de fazer os trabalhos… a conta não dá certo! A professora disse que nos dava umas belas reguadas se não levássemos os trabalhos feitos.
- Filha, tem calma, não desistas... a mãe já te vai aí ajudar. Se calhar o gato está escondido mas, quase aposto, com o rabo de fora.
E lá vinha a minha mãe Júlia sentar-se a meu lado, com carradas de paciência. Apesar da sua pouca escolaridade (terceira classe incompleta), o seu raciocínio era veloz e fazia contas de cabeça como ninguém. Sempre que se sentava junto a mim para me ajudar, ensinava-me com a calma e a tranquilidade dos sábios.
- Isabelinha, vamos lá ver… dois vezes seis… doze… e vai um, três vezes cinco, quinze… mais um, dezasseis…
- Sim mãe, já entendi! Dezasseis e vai um, três vezes sete… vinte e um e… vão dois. Ena! Viva! Deu tudo certo (já exibindo o meu melhor sorriso).
- Eu não te dizia filha, era o gato escondido com o rabo de fora.
E lá terminava eu as contas da Escola, feliz da vida por ter conseguido acabar e por, mais uma vez, me ter livrado das célebres reguadas.
A mãe, levantava-se então da mesa onde eu trabalhava com a certeza de me ter acalmado, e lá seguia para continuar as suas tarefas domésticas.
Bom, nem tudo eram rosas… a minha querida mãe Júlia também tinha um feitiozinho levado da breca e não nos perdoava grandes deslizes.
Lembro-me que eu e meu irmão Rui gostávamos muito de brincar na rua e sempre que havia um bocadinho livre lá nos escapávamos a toda a velocidade. Saltar à corda, correr, jogar à barra do lenço, ao ringue e à macaca eram as minhas brincadeiras preferidas e tudo fazia para prolongar aqueles belos bocados das tardes.
Perto da hora do jantar, lá de cima da janela, chegava-nos o som daquele recado habitual, gritado em voz alta:
- Isabel Maria! Rui Humberto! Já para casa lavar as mãos para irmos jantar. Vá rápido, não me façam ir aí abaixo buscar-vos.
- Já vamos mãe… só mais um bocadinho.
- Por hoje chega de brincadeira. Não vos chamo nem mais uma vez. Casa!
- Oh… deixa lá mãe… só mais cinco minutos! Depois vamos p’ra casa.
Pois é, escusado será dizer que os nossos cinco minutos viravam sempre uma eternidade e quando dávamos por ela, já tínhamos a mãe lá em baixo a correr atrás de nós. E aí é que era o Diabo! Ela já trazia na mão aqueles raminhos secos e muito fininhos que cortava dos arbustos existentes nas traseiras da casa e a verdade é que os usava para nos acertar na barriga das pernas. Garanto-vos que era remédio santo para chegarmos a casa num instante, subindo os lances de escada de dois em dois.
- Autch! Autch!
- Oh mãe, isso dói mãe… A gente só queria brincar mais um bocadinho.
Lembro-me, também, daquela vez na praia quando o meu irmão se lamentava que não sabia nadar e eu nem parei para pestanejar:
- Oh mano... não custa nada! Queres experimentar?
Antes do Rui ter tido tempo para concordar, empurrei-o da rocha onde estávamos e lá foi ele em voo descontrolado até à água. Ainda hoje, nem eu nem ele sabemos se foi da surpresa ou do susto mas o certo é que meu irmão não sabia nadar e conseguiu chegar até à margem.
- Oh mãe!!!! A mana empurrou-me para a água e eu não tinha pé…
- Isabel Maria!!!! Isso faz-se? Raio da miúda!!!! Tu não vês que podias ter afogado o teu irmão?
- Oh mãe, era só para o ajudar a aprender a nadar.
Tantas e tantas memórias e imagens que ficam...
Agora olho para ela e tudo me vem à memória... as caminhadas que fazia para poupar o dinheiro do autocarro, a fruta que comprava mais barata para fazer compotas, os jantares de Domingo à noite (frango assado com batatas fritas), os rissóis e os pastéis de massa tenra que vendia para as pastelarias da Amadora e Queluz pois tinha o sonho de construir uma casa (e construiu), vê-la a cavar a horta do quintal e a falar com as flores e com os gatos. Enfim, são tantas as imagens que me passam pela cabeça quando agora a vejo estendida naquela maca e perdida num tempo sem tempo e talvez sem memórias, ou não...
Não sei se ela percebe que estou ali ao seu lado, penso que sim. Por isso vou-lhe passando, suavemente, a mão pela testa e pelos cabelos, como se a pudesse adormecer sem dor e sem sofrimento.
O seu corpo já não pesa, flutua… a sua respiração profunda e instável parece um pouco mais fácil com a ajuda do oxigénio. Não sei quanto tempo ainda falta para a sua viagem…
Beijos,
da Princesa

Friday, December 07, 2007

A sombra da guerreira...

Ao ver a minha mãe ontem na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Amadora-Sintra, lembrei-me que a verdadeira imagem da "Sombra do Guerreiro" estava ali à minha frente, a sombra de uma mulher de garra que nunca baixou os braços, mesmo na adversidade e a quem devo muito do que sou hoje.
Agora está demasiado cansada e quer ficar em paz. Espero que rapidamente se cumpra o seu desejo e lhe volte o sorriso, seja onde for.
Até já...
Princesa

Wednesday, December 05, 2007

Em maré de testes...

As circunstâncias de vida do nosso dia a dia estão sempre a surpreender-nos e eu, muito em particular, estou normalmente desperta para as eventuais surpresas, até para as que partem de mim própria.
Estou numa fase de carreira em que tenho de investir bastante em formação pois tenho défice de conhecimento para o papel que me espera. Como tal, face à minha famosa teimosia, tenho procurado as mais variadas formas de me actualizar e o auto estudo, também, tem feito parte da estratégia.
Numa dada área em que sou mais fraquita surgiu uma oportunidade de nos voluntariarmos para a participação em equipas de teste ao produto em causa e "bingo", fez-se luz no meu espírito e nem pestanejei:
"Count me in", I said to the Product Development guys.
Bom, é a primeira vez que participo num coisa destas e comecei ontem a ler o que tinha de fazer e participei na primeira conferência telefónica.
Cheguei à brilhante conclusão que "Só sei que nada sei!"
“Socoooorrroooooo!!!!!” (foi a minha primeira reacção)
“Estou a sentir-me completamente burra, daquelas burras, mesmo burras...”
Respirei fundo e pensei
"Vou desistir, não percebo nada desta porra!"
"Quem me mandou a mim meter nisto…"
Depois de muitas lutas internas pois lido muito mal com o facto de me sentir uma verdadeira "piça" mas, também lido muito mal com ter de "baixar os braços" e "entregar os pontos", li e reli aquela porra toda outra vez (prescindi de ir almoçar e do treino). Aos poucos e poucos, luz foi-se acendendo no meu espírito em ebulição e, finalmente, comecei a perceber a dinâmica dos testes do produto, o que me cabia fazer e o qual o contributo expectável da minha pessoa.
Ontem conseguir terminar duas das doze áreas que me foram atribuídas, detectei alguns erros, reportei-os de acordo com as regras e as instruções que tinha recebido e...
10 Points!!!!! Bingo!!!!
No final do dia recebi um telefonema do "dono" daquela área do produto a agradecer a forma como tinha executado os dois primeiros cenários de teste. Comentou que alguns dos problemas reportados eram graves e não tinham sido ainda detectados pelos "developers". No final da conversa, pediu-me para continuar dentro daquela linha para os restantes cenários de teste.
Graças a Deus que além de "piça" sou também teimosa que nem uma "burra" (escolhi a foto do burro do Shrek porque tem um ar mais inteligente, eh, eh, ...) e a experiência tem-me ensinado que “depois da tempestade vem, sempre, a bonança!”
Beijos,
da Princesa

Tuesday, December 04, 2007

I feel lost...


Isto de andar com a casa em obras e fazer uma vida de saltimbanco é bem complicado.
Perdem-se referências, perde-se a roupa, os brincos, os cremes, ... and so on, and so on...
Nesta altura do campeonato (só passou uma semana e pouco) já não sei bem onde pára metade das minhas coisas e até acho que quando tudo acabar vou levar pelo menos um mês para voltar a organizar a minha vida.
Bom, há que reconhecer que além do "new look" do novo espaço uma das grandes vantagens destas obras é estar a livrar-me de muita tralha verdadeiramente inútil e ainda vou ser obrigada a livrar-me de muito mais. É que o espaço para arrumar coisas diminui para aí uns 40 a 50%, em relação ao anterior...
Esperemos que tudo corra pelo melhor e já agora recordemos as imagens do meu futuro breve.
I hope so ...
Beijos,
da Princesa

Tuesday, November 27, 2007

Saudades do futuro...










Já vos aconteceu terem saudades de uma coisa que ainda nem aconteceu?
Conversa de loucos, dirão...
Pois isso acontece comigo com alguma frequência e hoje de manhã ao conversar com uma amiga do Zimbabué, com quem já não falava há algum tempo, aconteceu de novo.
No início da conversa perguntei-lhe como estava e logo me respondeu:
- Great! Just returned from six weeks vacation in South America!!!
- Uauh!!!! (disse eu, claro...)
- Peru, Chile and Argentina. Can you imagine that?
Imaginar, imaginar...
Pessoalmente, quase nem consigo imaginar o que serão seis semanas seguidinhas a viajar por lugares destes que tanto ambiciono conhecer.
Há séculos que tenho saudades de fazer uma viagem assim e pelo que me dizem todos os que por lá passaram, até já sinto saudades de terras e gentes que não conheço.
Beijos,
da Princesa

Monday, November 26, 2007

De regresso ao Sol

Se as coisas continuarem assim teremos, muito em breve, as Agências Turísticas a apostar em campanhas do tipo:
"Venha passar o Natal na praia, com os portugueses" ou,
"Não há Natal como em Portugal, Sol e Mar não vão faltar".
De facto, não me lembro de uma primeira metade de Novembro assim, talvez uma das melhores quinzenas de praia do ano, quer ao nível do clima, quer ao nível do mar, sempre calmo e quente.
Nem em Agosto!!!
E na foto, embora de má qualidade, está a prova, o mar da praia de S. Julião há duas semanas atrás. Nesse Domingo desci até à areia quentinha e por lá fiquei a ler e a caminhar, de calção de ganga e camisola de alças. Uauh!!!
Beijos,
da Princesa

Friday, November 23, 2007

I' m almost free

Dentro de umas horinhas, mais para o final da tarde, já estarei a voar para Lisboa se não tiver atrasos (o que diga-se, com franqueza, a uma sexta feira à tarde é muito difícil) .
Por cá já chove um pouco e o frio abrandou.
Hoje quando cheguei à sala, um chavalo mais novo e um guapo mais velho disseram-me bom dia!
Um era brasileiro e o outro alemão! 1 a 1!
Beijos,
da Princesa

Thursday, November 22, 2007

O autismo também pode ser cultural

Que raio é que esta rapariga vai hoje escrever com um título destes?
Dizem que a curiosidade matou o gato mas eu não estou de acordo... é que se eu não fosse curiosa não sabia, pelo menos, metade do que sei hoje e... ainda estou viva!
Bom, o tema do autismo vem à baila dados os estranhos relacionamentos de trabalho que aqui se vivem nesta empresa, em terras alemãs.
- Morgen! Digo eu ...
Resposta: Nada! Nem um sonzinho, sequer...
- Morning! Digo eu...
Resposta: Nada! Nem um grunhido, sequer...
Pois é, pelo menos aqui na SAP Alemanha, raramente me respondem e ficam com "os cornos" (desculpem-me a expressão) enfiados no raio dos écrans de computador.
Outra coisa... Se às vezes me abordam para fazer conversa idiota de circunstância na Cafetaria penso sempre "ora finalmente alguma simpatia"...
Errado! Mal respondo e troco algumas palavras em discurso mais ou menos solto, arrepiam caminho e inventam uma desculpa que têm não sei quê à espera para fazer.
Cá por mim penso que quem é tão descontraído no contacto os assusta, verdadeiramente!
Esta é quase sempre a regra, não digo que não haja excepções pois existem em todo o lado: o Markus, o Norbert e a Uly são belos exemplos disso e, também. já cá conheci alguns exemplos de espírito mais descontraído, mas poucos...
Bom,amanhã à tarde já estou de regresso.
- I WANT MY COUNTRY!!!!!
Beijos,
da Princesa

Wednesday, November 21, 2007

Aqui, em terras alemãs

Pois é verdade caros amigos e amigas, cá vim eu bater com os costados de novo que é para não me esquecer como isto é.
Embora os dias estejam bonitos está um briol do caraças (3ºC-10ºC). Apesar de tudo não está nada mal aqui para este pessoal. O problema é só mesmo andar na rua porque dentro dos edifícios a malta pode optar pelo biquini que não tem frio.
A forma ideal de vestir é "quentinhos" por fora e "fresquinhos" por dentro.
Ontem estive com o pessoal lusófono cá do burgo. Estavam representados Portugal, Brasil e Cabo Verde. Adicionalmente, havia uma presença Mexicana e como já devem calcular, pus a conversa em dia sobre o México, eh, eh, ...
Sexta já estou de regresso.
Até breve!
Beijos,
da Princesa

Thursday, November 15, 2007

Fernando Pereira, cidadão de mérito

Falha a minha só agora arranjar um bocadinho para escrever sobre a homenagem ao Fernando (Domingo passado, no Auditório Cadaval) mas, a vida nem sempre corre como a gente quer ...
Apesar de já terem feito referência os jornais da região e as "revistas cor-de-rosa" penso que não chega e aqui estou agora para me redimir.
Por unanimidade da Assembleia da Câmara Municipal de Sintra decidiu-se atribuir ao Fernando Pereira a medalha de mérito de cidadão de Sintra - grau ouro - pelo seu trabalho como empresário e homem das artes e da música.
Premiou-se aqui a sua dedicação de muitos anos a um espaço cultural e gastronómico que a ninguém é indiferente - a Taverna dos Trovadores -, a sua paixão pela música e pela composição e a sua actividade como empresário e dinamizador do Turismo na região de Sintra.
Premiou-se acima de tudo a forma como cultiva amizades.
Pelo Olga Cadaval passaram muitos sorrisos, abraços, amigos verdadeiros e alguns de circunstância mas foi uma cerimónia bonita, alegre, pouco formal e cheia de emoção para o medalhado e para quem o guarda no fundo do coração.
Viva o Amor! Viva a Amizade! Viva a Música!
Viva o novo cidadão honorário de Sintra, o Exmo. Senhor Comendador Fernando Pereira!
E esta hem? Soa na perfeição, não acham?
Beijos,
da Princesa

P.S.
Tinha-me esquecido de dizer:
- Só não ficaria feliz quem estivesse "verde" de inveja!!!!
Verde, mesmo verde... estão a ver?
Não a graça nada tem que ver com "verdes são os campos da flor do limão".

Wednesday, November 07, 2007

Rio das Flores

Estou neste momento a ler um livro daqueles...
um LIVRO a sério, um livro com letras grandes.
Embora o Miguel Sousa Tavares me pareça um pouco pretensioso no seu discurso económico e político admiro-o pela forma frontal e aberta com que aborda alguns dos temas da nossa actualidade. Muitas das vezes o seu tom é demasiado rude mas sabe "tocar nas feridas" desta terra.
Quanto à sua escrita literária, na minha modesta opinião, é de grande qualidade ou até mesmo brilhante.
"Equador" e "Rio das Flores" são dois romances que espelham retratos de época fabulosos, reveladores de uma recolha cuidada dos dados históricos e de uma sensibilidade rara para a construção dos enredos.
A magia e o encanto da escrita estão presentes na forma como descreve momentos, circunstâncias e personagens. Às vezes até me parece que estou entre eles e quase reconheço todos os seus traços, jeitos, trejeitos e até os sorrisos consigo imaginar.
Em "Rio das Flores", através das aventuras e desventuras de uma família de grandes proprietários rurais alentejanos, os Ribera Flores, viajamos até à primeira metade de um século XX onde florescem as ditaduras Europeias.
Vão-se devorando páginas e páginas (são seiscentas e trinta e duas no total) com a ânsia de vislumbrar ou antever rapidamente o final da história.
A curiosidade em saber o que irá acontecer a todos é quase doentia e o enredo vai-se construindo de forma tão entusiasmante que dei por mim a ler e a especular em pensamento se algumas das personagens não se irão ainda envolver. Talvez o Pedro e a Amparo ainda venham a ter um caso e talvez o Diogo se venha a meter em sarilhos com as suas ideias políticas ...
Estou ainda a dois terços do final do livro e já encontrei vários episódios circunstanciais que adorei, como por exemplo o que retrata o comportamento dos pais de Amparo, noiva de Diogo Ribera Flores, no dia do seu casamento e a forma como lhes assentam os fatos que envergam no dia da boda da filha.
Um Eça de Queirós do século XXI...
Não deixem de ler!
Beijos,
da Princesa

Quando as palavras nascem e fluem

Este é um momento em que me apetecem as palavras e a escrita.
Não tenho parado nos últimos tempos e parece não caber cá dentro tudo o que tenho para dizer.
Tenho escrito continuamente para deixar espaço às novas ideias que se geram e às novas escritas que já me entopem as artérias.
Lançaram-me alguns desafios recentemente e já os abracei.
O futuro o dirá...
Beijos,
da Princesa

Tuesday, November 06, 2007

Parabéns Sobrinhos!

Ontem foi o Gui, apaixonado pela Música.
A prenda central aposto que veio de encontro às suas mais secretas ambições: a caixa de mistura, o prato e os phones... tudo o que um verdadeiro DJ necessita para começar, eh, eh, ... 13 anos e já uma promessa para os novos talentos.
Já lhe disse "não esqueças do lugarzinho (chaise longue) para a tia no lado esquerdo da piscina" (sorrriso) "Sim tia!"
Hoje é o Rodrigo, 14 anos, apaixonado pelo Atletismo e pelas corridas de fundo.
Então não é que o chavalo andou um mês em competição a ganhar medalhas (entre o 2º e o 8º lugar) e tinha a rótula do joelho direito partida! Esta brincadeira durou até que uma radiografia mostrou a origem da dor... que ninguém imaginava ser o que era.
"Então não te doía?" perguntei eu "Doía, mas ... a prova..."
A este jovem talento que se adivinha também já fiz o mesmo pedido "não esqueças do lugarzinho (chaise longue) para a tia no lado direito da piscina ... o teu pai fica do lado oposto, vale?"
(sorriso doce do meu Rodrigo de olhos claros) "Está bem tia!"
Entre beijos e abraços apertados, muitos parabéns meus queridos sobrinhos!
Sejam felizes!
Beijos,
da Princesa

Saturday, November 03, 2007

Isso até que merece um post

Ontem falava com um amigo sobre o facto do meu pai ter sido um sonhador e poeta e a minha mãe ter sido a "generala" lá de casa e uma pessoa completamente práctica.
Dizia-me ele:
- É sempre assim, um sonhador(a) está sempre ao lado de alguém que tem os pés bem assentes na terra e uma visão práctica da vida.
Prometo que quando sair da confusão que é actualmente a minha casa face às obras que se aproximam, farei um post sobre os poemas que o meu pai deixou escritos num caderninho que agora se encontra entre os milhares de coisas que tenho apinhadas no quarto da Vanessa.
Beijos,
da Princesa

Wednesday, October 31, 2007

Mais um "BIG" fim de semana

Segundo as conversas de corredor consta que meio mundo vai fazer este fim de semana prolongado fora do seu meio envolvente habitual.
Ele é Paris, ele é Barcelona, ele é Roma, ele é Madrid, ele é Algarve, ele é Madeira, enfim... e eu a vê-los passar!
Cá estarei a bulir, como sempre, na próxima sexta-feira.
Beijos,
da Princesa

Sunday, October 28, 2007

Esparguete à Bolonhesa


Pois é, ser tia tem destas coisas...
Fim de semana em baby sitting versão jovem adolescente até que é bem divertido.
Bom e eu que não como carne acabei por ser cravada para fazer esparguete à bolonhesa que, como já devem calcular, é uma das iguarias favoritas do Senhor Gui!
Jantarada, Internet, brincadeira ao ar livre e passeata.
Beijos,
da Princesa

Saturday, October 27, 2007

Mais uma história de encantar

"...
Agora tinham quase a certeza que era alguém a chorar. Andaram mais um pouco e o choro parecia estar mesmo ali entre eles, no entanto não conseguiam ver ninguém. Olharam, olharam, olharam e nada, apenas um balde de praia de cor amarela estava encostado à parede da gruta, provavelmente ali esquecido por alguma criança.
Quase a desistir, começaram a andar em sentido contrário mas, de repente, o choro parou e ouviram uma voz que dizia:
- Pst, pst, pst, … crianças! Aqui em baixo, junto ao balde de praia amarelo. Não me vêm?
Olharam de novo e nada. Era mesmo estranho…
- Aqui, aqui, já estou a subir para me verem! Sou Laura, a gota de água.
Todos fixaram o olhar naquela direcção e, finalmente, viram qualquer coisa a mexer. Pareciam umas mãozitas a segurar na borda do balde e uns grandes olhos verdes (da cor do mar) a espreitar mesmo por detrás.
- Olá! Sim, sou mesmo eu, não se espantem por ver uma gota de água falar. É que nós também somos seres vivos como vocês e conseguimos comunicar falando.
O João e a Joana estavam estupefactos e os outros amigos, então nem se fala. Só abriam e fechavam a boca como os peixes de aquário mas, não saía nenhum som.
- Talvez vocês me possam ajudar a revelar um grande escândalo relacionado com os recursos de água desta zona. É que se for só eu sozinha a falar, metem-me dentro de um copo com água e bebem-me logo em seguida para me manterem de bico calado.
- Um grande escândalo? (perguntaram todos ao mesmo tempo) Então conta lá, pode ser que realmente possamos ajudar. A mãe sempre nos disse que as causas ambientais são para defender com unhas e dentes e que a água é talvez o recurso natural mais importante que existe na Terra. Sem água seria completamente impossível haver vida no nosso Planeta.
- Ora até que enfim encontro quem entende as minhas preocupações.
- Oh Laura … Conta lá então o que sabes.
- Bom, é o seguinte… Ontem quando vinha embalada na corrente das marés da tarde comecei a sentir um cheiro terrível e a água não muito longe parecia ter uma cor castanha muito escura. Antes de ser arrastada na direcção daquela mancha nojenta, dei meia volta e mergulhei fundo para rapidamente sair daquele lugar. Ao mergulhar, ainda tive tempo de olhar para trás e percebi que uns bons metros à frente estava a saída de uma grande conduta de esgotos.
..."

Thursday, October 25, 2007

Histórias da Carochinha

No final da semana passada, nem sei bem porquê, lembrei-me da história da Carochinha depois de ter falado ao telefone com a minha filha. Talvez porque ela me ter comentado que acabava de assinar um contrato de aluguer por um ano (pela primeira vez sozinha) para a casa onde já vivia (até agora partilhada) e tinha passado 2 dias em limpezas profunda a retirar os anteriores vestígios de partilha.
Não sei bem porquê mas veio-me então à cabeça o início da história:

Estava uma vez uma carochinha a varrer a sua casa quando encontrou uma moeda de ouro.
Feliz, foi a correr guardá-la e logo de seguida foi por-se à janela a cantar:
- Quem quer casar com a Carochinha que é tão rica, alegre e bonitinha?


Eh, eh, eh ... Tirando a parte das limpezas o resto é, pelo menos para já, pura ficção.

Beijos,
da Princesa

Saturday, October 20, 2007

Afinal, não há três sem quatro... ou cinco

Fatal! O ar condicionado do avião deu-me cabo da sinusite que já estava bem melhor quando viajei para a Alemanha e ao chegar a Lisboa quase tirei o lugar à Vanessa pois o voo atrasou-se mais de uma hora e as malas ficaram para trás.
Depois de uma boa seca lá chegaram as "equipages" que o pessoal de terra se tinha esquecido de transportar. Um dos contentores tinha ficado a enfeitar a pista de aterragem...
Bom, pelo menos cheguei viva!
Beijos,
da Princesa

Friday, October 19, 2007

Raios e Coriscos!

Às vezes parece que os nossos planetas regentes conspiram contra nós em uníssono.
Posso dizer-vos que esta semana me calhou a mim, embora com um final tendencialmente feliz.
Desta vez parece ter feito jus o ditado: Não há uma sem duas, nem duas sem três!
Passo a explicar:
- 3ª. Feira de manhã:
Multa de estacionamento em Hiedelberg (passavam 15 minutos das 08:00 quando cheguei ao pé do carro e já lá tinha o papelito no vidro do carro – very german tipical, 1 minute is 1 minute, 15 minutes it’s an eternity)
- 4ª. Feira à tarde
Passada 1h15m do tempo de exame (o total era 1h30m), premi o botão do “submit” et voila! Bum! Windows Internal Error xxxx. O exame foi-se, ou melhor “vanished in the air”, “kaput”, como queiram … nem sequer ficou gravado na Base de Dados. Tive que o fazer 2ª. Vez, de raiz… Digamos que me valeu alguma calma e lembrar-me da maioria das respostas que tinha dado. OK! Passei à rasquinha com o mínimo exigido – 80% - e nem me atrevi a rever na segunda tentativa a que tinha direito, não fosse o Diabo tecê-las.
- 5ª. Feira final da tarde
- Onde está o Wally? Bom não era o Wally mas a minha “wallet”. Cadê a minha carteira com BI, Carta de Condução, Cartão de Crédito e Cartões de Débito, Cartão da Empresa, Cartão de Saúde, Cartão da Segurança Social…
Pois é! Roubada? Perdida? Não sabia. Desconfiava que roubada, mas…
Toca a cancelar o American Express. Depois de muitas chamadas e correr a assistência a clientes de Portugal, UK, Espanha, Irlanda e USA, lá consegui cancelar ao fim de 2 horas e meia.
Cidadã Europeia, incógnita e indocumentada precisava voar no dia seguinte à noite para Lisboa e nem cheta tinha para jantar, quanto mais para pagar a conta do hotel e o carro alugado…
Bueno, valeu estar com colegas.
- 6ª. Feira manhã:
Tinham encontrado a carteira na Cantina já tarde e guardaram-na para entregar à Segurança no dia seguinte.
Tudo intacto! Uf! Aqui valeu-me, tenho de reconhecer, a very tipical german honesty.
Parece que à quarta vez se quebrou o feitiço.
Daqui a umas horitas já posso voar mais tranquila!
Beijos,
Da Princesa

Monday, October 15, 2007

Back to Germany

Pois é... mais uma volta mais uma viagem.
De volta a Heidelberg e à SAP para fazer mais um curso e uma certificação e um exame dentro de dias, eh, eh, eh. Não, não é borga mas é pena porque o tempo até está convidativo. Friozinho mas, um Sol lindo.
Wish me luck!
Beijos,
da Princesa

Friday, October 12, 2007

Biofuel: que mitos?

Hoje, a abrir o noticiário das sete da Antena 3, ouvi uma notícia sobre os agro-combustíveis e os seus riscos.
Sem grande esforço, apesar de tão matinal hora, dei comigo a pensar:
- Que raio, nas últimas semanas não se tem falado de outra coisa (tirando aquela do Scolari, claro...) senão na gasolina verde e nos seus benefícios, pois até que enfim ouço uma chamada de atenção para os eminentes malefícios.
Apesar deste tema ser regularmente discutido e debatido, são mais escassos os alertas sobre as possíveis consequências dos "combustíveis verdes" na desflorestação, no desenvolvimento da agricultura, na fome mundial e nos novos níveis de emissão de dióxido de carbono para a atmosfera.
Em Julho passado foi publicado um comentário muito interessante no Herald Tribune que li por mero acaso quando pesquisava na Internet informação sobre esta temática. "The biofuel myths" assim se chamava o artigo escrito por Eric Holt-Giménez, professor universitário que integra uma das equipas do International Honors Programs, da Universidade de Boston.
As áreas de Agro-Ecologia, Agricultura Sustentável, Camponeses e Movimento Campesino são as de maior referência para os seus trabalhos, sendo a Américas Central e do Sul, os principais pontos de referência para a sua investigação.
Logo na altura apeteceu-me falar sobre o assunto mas a coisa passou e hoje ao escutar o comentário na rádio sobre a problemática da gasolina verde e a sua relação com a fome Mundial, relembrei o artigo então lido.
Segundo Eric "... in reality, biofuel draws its power from cornucopian myths and directs our attention away from economic interests that would benefit from the transition,..."
A rápida capitalização e concentração de poder nas indústrias de biofuel agigantam-se e segundo nos indica no artigo, o crescimento dos seus investimentos em biofuel ronda os 800%, nos últimos três anos.
O investigador é peremptório em afirmar que necessitamos de um inquérito público aos grandes mitos do Biofuel:

Biofuels are clean and green

A redução de emissão de gases para a atmosfera e a redução do consumo de combustíveis fósseis versus o crescimento de emissões provocadas pela desflorestação, incêndios, drenagens de turfas ...
É comentado no artigo que cada tonelada de óleo de palma gera 33 toneladas de emissões de dióxido de carbono (10 vezes mais que a gasolina normal).

Biofuels will not result in deforestation

Os adeptos do biofuel defendem que as culturas de cereais utilizados para a sua produção em terrenos degradados, irá melhorar em vez de destruir o ambiente.
Carregado de alguma ironia, Eric comenta que talvez o governo Brasileiro tivesse isto em mente quando reclassificou 200 milhões de hectares de floresta tropical seca como degradada e apta para cultivo.
Na realidade estes eco-sistemas da Floresta Atlântica (Cerrado e Pantanal) eram ocupados por indígenas, agricultores de subsistência e rancheiros com produção extensiva de gado. Com a introdução deste tipo de culturas são agora pressionados a deslocar-se para a zona agrícola de fronteira com a Amazónia, onde os níveis de devastação e desflorestação são bem conhecidos. Curiosamente, a NASA também correlacionou o seu preço de mercado do feijão de soja com os níveis de destruição da floresta tropical na Amazónica


Biofuels will bring rural development

100 Hectares de agricultura familiar nos trópicos geram 35 postos de trabalho versus 10 postos de trabalho gerados pela cultura da cana-de-açúcar e 0,5 posto de trabalho por cada 100 hectares de feijão de soja, todos muito mal remunerados. No mínimo dá que pensar...
Os pequenos produtores serão fortemente dependentes das grandes empresas produtoras e poucos benefícios retirarão deste tipo de culturas. Necessariamente, serão forçados a sair deste mercado, como as centenas de milhar já retirados das plantações de feijão de soja pela "República da Soja", uma área de 50 milhões de hectares no sul do Brasil, norte da Argentina e Paraguai e este da Bolívia.


Biofuels will not cause hunger

Na opinião do investigador a fome resulta não da escassez mas sim da pobreza.
Os mais pobres do Mundo já gastam 50 a 80% dos seus orçamentos familiares em alimentos (isto é, quando existe orçamento...) e são eles quem mais sofre com o "boom" dos preços dos cereais necessários à produção dos agro-combustíveis. Alimentos e cereais são, desta forma, competidores pela posse da terra e dos recursos naturais o que implica, igualmente, a subida de preços da terra e da água.

E agora, que fazer? Sempre que se pensam em alternativas interessantes para combater a fome e a pobreza, proteger o ambiente, etc., etc., passado pouco tempo lá temos nós à espreita "os Diabos" do costume para avaliarem como tirar o melhor partido disso em seu favor (poder, capital e interesses económico-financeiros andam sempre de mãos dadas) e lá se vão as boas intenções e as boas ideais para o espaço.
Partilho da opinião de Eric Holt-Giménez e penso que de facto urge estabelecer limites para este tipo de produções e há que manter vigilância apertada e uma forte pressão sobre os governos para os obrigar à publicação de leis que previnam a concentração deste mercado emergente em grandes corporações. Devemos, sobretudo, insistir para que este tipo de culturas seja um complemento e não a peça central, de modo a permitir um desenvolvimento rural sustentável.
Em contraponto a estas ameaças, infelizmente bem presentes, estão a emergir com força ideias e ideais associadas ao desenvolvimento sustentável, nomeadamente no plano das aldeias biológicas, do eco-agro turismo e muito mais.
Há que não baixar os braços e lutar pelo sonho de um futuro melhor.

Beijos,
da Princesa

PS - É verdade... esqueci-me de vos dizer que o senhor da foto é o Professor Eric Holt-Giménez

Monday, October 08, 2007

Busy, busy, busy...

Cada vez mais as Empresas se identificam com ritmos de elevada aceleração no trabalho ou, pelo menos assim o pretendem dar a entender.
Se reflectirmos um pouco e se estivermos atentos apercebemo-nos que esses ritmos alucinantes se devem, muitas das vezes, a um acumular de tarefas que integram uma elevada percentagem de actividades totalmente improdutivas.
Actualmente, manter permanentemente a equipa de colaboradores em situações de "hiper trabalho" é a grande aposta de muitos quadros dirigentes para encobrirem a sua incompetência e sem estes truques de ilusionismo não teriam capacidade de sobreviver muito tempo.
Em boa verdade, quanto maiores e mais complexas forem as Organizações que os acolhem, mais tempo se aguentam no poleiro.
Ai, ai!
Beijos,
da Princesa

Friday, October 05, 2007

O 5 de Outubro de 2007



E não é que num dia lindo como o de hoje, cheio de Sol e pleno de calma, levamos logo pela manhã, com um bando de caras mal humoradas e tensas, desde o Presidente da Câmara de Lisboa, ao Presidente da República e até o nosso Primeiro Ministro.
O ar de chateação com que se apresentaram nas comemorações oficiais da Implantação da República, o conteúdo chato e "dejá vu" dos seus discursos sobre a Educação em Portugal fariam, certamente, descair o vasto busto da modelo que imortalizou a dita República em 1910.
Depois admiram-se por as cerimónias oficiais terem poucos civis a assistir.
Beijos,
da Princesa

Thursday, October 04, 2007

A distância não apaga a memória

Dizem que nos ditados populares há sempre uma verdade escondida mas, às vezes, podem haver outras verdades.
Passo a explicar:
- Longe da vista, longe do coração!
Nem sempre a distância nos apaga a memória e, consequentemente, também não se apagam os verdadeiros afectos. Joga a nosso favor o tempo que caminha de braço dado com a distância e nos ajuda a suavizar as dores da separação.
Desta vez a experiência calhou ao mano, à cunhada e aos sobrinhos mais novos.
Três meses sem Rui João, o filho mais velho, actualmente em Luanda e já com vontade de regressar.
- Tia... nem imaginas como isto é horrível!
Podia ficar aqui a falar de tudo o que já vi de mau, só num dia.
Está-se mesmo a ver que vão ser três meses a trabalhar sem parar e a pensar no regresso a Portugal, para não mais voltar.
E não sei porquê mas vem-me sempre à memória, quando falo com quem por lá passou, a cena em que Tessa Quayle (Rachel Weisz) atravessa o mercado naquele lugar perdido do Norte do Quénia, no filme "O Fiel Jardineiro".
Beijos,
da Princesa

Wednesday, October 03, 2007

Ideais e conflitos

Quando vejo as imagens que passam na televisão sobre a repressão do poder na Birmânia, não posso deixar de me congratular com a onda de solidariedade Mundial que se estabeleceu em torno desta causa de Liberdade defendida pelos monges budistas, rostos centrais da resistência birmanesa.
Independentemente do lugar do Globo que habitam, as gentes continuam despertas para as grandes causas humanitárias, lutando e afirmando os seus ideais. A adesão em massa a estes ideais parece afinal dizer-nos que esta não é a “Era do Vazio” retratada por Gilles Lipovetsky, nos seus ensaios sobre o individualismo contemporâneo.
Beijos,
Da Princesa

Sunday, September 30, 2007

A calma

Uma das sensações que mais me encanta é a calma e a tranquilidade do ritmo dos Domingos. Tudo rola sem stress, tudo segue o seu rumo, tudo desliza mais devagar.
O espreguiçar na cama de manhã é melhor, as conversas fluem mais facilmente, o aroma do vinho à refeição chega-nos mais suave, a garfada de arroz e salada tem um sabor diferente e o passeio até à beira-mar deixa-nos com energia de sobra para enfrentar a nova semana.
Bom, tem um pequeno senão, logo, logo a seguir chega a famosa Segunda-Feira.
Beijos,
da Princesa

Saturday, September 29, 2007

A intolerância

Nunca me tinham dito tal coisa:
- És uma pessoa intolerante!
Sempre a tempo de nos espantarmos quando ouvimos uma crítica inesperada, que nos atinge tipo "knock-out".
Em boa verdade, segundo o dicionário da lingua portuguesa ser intolerante significa que:
- não sou tolerante;
- sou intransigente;
- sou ríspida;
- sou inflexível;
- sou uma pessoa que não admite opiniões nem crenças contrárias;
- sou uma pessoa que se opõe aos princípios da liberdade.
Ora aqui está uma faceta que não consigo reconhecer mas, dá para pensar...
Eu e este meu feitiozinho, será?
Beijos,
da Princesa

Thursday, September 27, 2007

Espera te mas un poquitin

¡Espera te mas un poquitin!
Así me suena lo que mi jefe me pide in este momento.
Como pode?
Obrigarem a realeza a trabalhar até estas horas da noite!!!
Apanhei-o de costas e vinguei-me. Escrevi "à socapa" este desabafo.
Beijos,
da Princesa

Monday, September 24, 2007

Jorge Palma na terra do Monte da Lua

Inspirado pelos Deuses ou por quaisquer outras divindades Jorge Palma tocou e cantou como ninguém no passado Sábado, no Auditório Olga Cadaval, em Sintra.
...
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei,
às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim
Jorge Palma
...
Sentido de ritmo, sentimentos profundos, gestos, ideias, algum humor um pouco corrosivo e muito, muito talento para dar e vender!
Uma banda de gente muito talentosa a acompanhar temas e melodias do passado e do presente que nos invadem a alma e nos percorrem a pele, mesmo ali naquele ponto de superfície que nos arrepia.
Ah, já me esquecia... fui acompanhada pelo Norbert, um alemão apaixonado por Portugal e por tudo o que temos de bom, a música inclusive. Imaginem que até o consegui ver dançar na cadeira! Amazing!!!
Beijos,
da Princesa

Friday, September 21, 2007

A Carlota deixou a Taverna dos Trovadores


Digamos que hoje tenho uma história verdadeira mas triste, para vos contar:
- A gata Carlota, digno ícone da Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra, morreu ontem.
Foram catorze anos de animada convivência com todos os que lá estão e com todos os que por ali passaram.
Foi adoptada ainda muito jovem quando por ali apareceu, após a morte da dona que morava perto. Teve cerca de 50 filhos distribuídos por amigos e clientes e fez franca amizade com todos os outros animais do Largo do Picadeiro.
Espertíssima, gulosa e uma lutadora pela vida (sobreviveu a muitas e boas) desta vez não escapou ao atropelamento. Provavelmente já era a oitava vida e dizem que os gatos só são donos de sete.
Saltava para o colo dos clientes na tentativa de os convencer a partilhar um pouco da carne do prato e para o meu saltava sempre para ali descansar, mesmo sem vestígios de comida à vista.
Foi enterrada no canteiro do pátio por vontade do Fernando e o Vasco fez-lhe uma cruz de madeira.
Talvez a volte a encontrar se virar bicho na próxima encarnação.
Beijos,
da Princesa

Saturday, September 15, 2007

Era uma vez ...

Terminei uma das minhas histórias "a sério" há cerca de três dias e até me parece que ficou bonita.
Mudei-lhe o título várias vezes e fui ajustando o discurso ao longo destes quase três meses de trabalho.
Talvez um dia mais além possa contar aos netos ou talvez mais um dia mais perto possa contar a outras crianças "O Segredo da Floresta Azul".
Qui ça?

Beijos,
da Princesa

"...
No final da tarde quando terminou o ‘Jogo do Mata’ despediram-se de ambos como se nada fosse com eles e começaram a caminhar na direcção contrária ao local do jogo. Pé ante pé, com muito cuidado, pararam logo após terem contornado a primeira esquina para daí poderem espiar à vontade.
E até parece que tinham adivinhado pois os dois irmãos deram uma grande corrida na direcção da sua casa mas, de repente, quando estavam mesmo a chegar à porta zás, viraram à esquerda e partiram à velocidade de uma flecha disparada pelo Robin dos Bosques.
Embora apanhados de surpresa, o Tó e o Xico reagiram muito depressa e sem olhar para trás um segundo sequer, correram de imediato no encalço de ambos.
- Depressa Tó! Corre, corre... Olha que os perdemos de vista.
- Está bem Xico! Está bem! Não olhes para trás. Eu sigo-te o mais depressa que puder.
Posso garantir-vos que nunca ninguém os viu correr tanto. Pareciam dois autênticos galgos!
Correram o mais que puderam, dando voltas à esquerda e à direita sem saber bem para onde caminhavam. Apenas se aperceberam que o João e a Laura estavam a seguir na direcção da Floresta Azul.

..."

Thursday, September 13, 2007

Follow the tuguinha ...

Pois a preocupação das mães é grande e a pequena, normalmente, faz umas viagens um pouco atribuladas.
Não querendo deitar foguetes antes da festa parece que desta vez as coisas estão a correr razoavelmente, pelo menos é o que me indicam os "trackings dos voos" dos diferentes aeroportos. Logo saberei pela própria mas, para já, tudo aponta que estará em casa em meia duzia de horas.
Para dar boa sorte aqui fica o seu melhor sorriso.
Beijos,
da Princesa


Wednesday, September 12, 2007

Até breve

O meu bem mais precioso já está em trânsito a caminho da sua outra morada, em terras Mexicanas. O tempo voou e estivemos muito felizes juntas.
Boa viagem milha filha querida e até breve.
Já tenho saudades tuas!
Beijos,
da Princesa

Friday, September 07, 2007

Em trânsito... no Porto

Curtas viagens não planeadas são, normalmente, as mais gostosas.
Passagem pelos "Maus Hábitos" (o jantar em casa do Daniel foi muito agradável) e estadia no "Escondidinho" (recomenda-se: mesmo juntinho ao Coliseu do Porto e uma boa relação qualidade/preço).
Os roteiros de visita dos dois dias foram Serralves (actuais exposições pouco interessantes), Mercado do Bolhão (super bem cuidado e limpo) e a fabulosa Casa da Música (um espaço arquitectónico aberto, interactivo e vivo).
Agora de regresso a Lisboa, já com poucos dias para estar juntas…
Beijos,
da(s) Princesa(s)

PS - Caso não saibam a fotografia foi tirada na sala VIP da Casa da Musica, reservada para a realização de conferências de imprensa !!! Eh, eh, ...

Saturday, September 01, 2007

And now... Ms. Daniela Brasil


Next is ... Ms. Daniela Brasil (from Rio de Janeiro, Brasil), uma verdadeira aventureira das viagens.
- Oi Vanessa! Cadê você?


Mais uma volta, mais uma viagem: Alcobaça e Porto daqui a 2 dias!

Beijos,

da (s) Princesa (s)

Monday, August 27, 2007

Mi Lalito de Tuxtla

Pois o amigo Lalito chegou com 24 horas de antecipação, na passada Sexta-feira. Mochila às costas e sorriso aberto nos lábios. Estão a ver a calma personificada? Chama-se Lalito.
- ¡Mira mi Lalito que bonito!
- Si, si. (sorriso)
- ¿Quieres comer un poquito? ¡Mira que rico!
- Si, si, quiero. (sorriso)
- Hoy Sintra por la mañana y Lisboa por la tarde. ¿Te parece?
- Si, si. (sorriso) ¿Me tomas una foto? (sorriso)
- ¿Que tal la agua?
- Un poco fría... (sorriso)
Pues mañana aí vamos nós para o Yoga Surf Camp! Três dias de yoga, campismo e praia
- ¿Te parece Lalito?
- Si. (sorriso)
Logo que tenha as fotos do Lalito no meu portátil, actualizo este breve comentário.
Até breve!
Beijos,
da (s) Princesa (s)

Monday, August 20, 2007

A amiga de Veneza

Pois este ano juntam-se por cá alguns amigos que se encontram espalhados por esse Mundo fora. Uma das grandes amizades iniciadas em S. Cris é Italiana e vive, desde sempre, numa pequena povoação dos arredores de Veneza.
Chegou há dez dias e partiu encantada com um Portugal que não conhecia.
Adorou Lisboa, capital que elegeu como sendo a mais bela de todas as que conhece, adorou a comida, o pão, há este pão..., Sintra, Cabo da Roca, Évora, Sagres... e mais que pudesse ter sido. Deixou comigo algumas fotografias muito belas do que o seu olhar curioso foi captando por aí.
Fui há pouco levá-la ao Aeroporto.
Partiu com a sensação de ter nos ter visitado por muito tempo, de tanto que viu e de tanto com que se encantou.
Irene, o próximo encontro talvez em Veneza... até breve!
O próximo é o Lalito... Mexicano, a viver em Barcelona há cerca de um ano, chega no próximo Sábado.
Beijos,
da Princesa

Friday, August 17, 2007

A lenda da Lagoa das Sete Cidades

Este é um espaço virtual para as histórias encantar.
Hoje transcrevo uma lenda Açoreana, influenciada por uma conversa de há pouco com a minha menina que foi conhecer o lugar. A intenção inicial era deixar uma foto e algumas breves palavras sobre a Lagoa mas... aqui fica uma das lendas da Ilha de S. Miguel sobre este local verdadeiramente mágico que já tive o privilégio de visitar.
Ora aqui vai...

Há muitos, muitos anos, vivia no Reino das Sete Cidades uma pequena princesa chamada Antília. A menina era filha única de um velho rei viúvo, conhecido pelo seu mau feitio. Senhor das Alquimias e do Saber, o rei vivia exclusivamente para a filha e não gostava que a princesa falasse com ninguém. A menina ora estava com o pai, ora estava com a velha ama que a criara desde o nascimento, altura em que a rainha sua mãe falecera. Os anos foram passando, Antília foi crescendo e um dia já não era mais a menina de tranças loiras caídas sobre os ombros, enfeitadas com flores silvestres; tinha-se transformado numa linda jovem, uma princesa capaz de encantar qualquer rapaz do seu reino. Contudo, embora todos ouvissem falar da beleza da jovem princesa, poucos ou nenhuns os que a conheciam, pois o rei não gostava que ela saísse do castelo nem dos jardins que o circundavam.Mas Antília não se deixava intimidar pelo pai, e com a ajuda da velha ama costumava esquivar-se todas as tardes, enquanto o rei dormia a sesta depois do almoço. Saía pelas traseiras, sem que ninguém a visse, e ia passear pelos montes e vales próximos.Num dos passeios pela floresta, a princesa escutou uma música. A música era tão linda e encantou-a de tal forma que se deixou guiar pelo som. Foi descobrir um jovem pastor a tocar flauta, sentado no cimo de um monte. Era ele o autor de tão maravilhosa música! A princesa, encantada, deixou-se ficar escondida a ouvir o jovem a tocar flauta. Ouviu-o escondida durante semanas, até que o pastor, um dia, a descobriu por detrás de uns arbustos. Foi amor à primeira vista e era recíproco, pois ela também estava apaixonada por ele. Os jovens continuaram a encontrar-se. Passavam as tardes a conversar e a rir, o pastor a tocar para a princesa e ela a escutá-lo enlevada, e ambos se sentiam muito felizes juntos.Um belo dia o pastor decidiu pedir a princesa em casamento. Logo pela manhãzinha, o jovem bateu à porta do Castelo, e pediu ao criado para falar com o rei. Pouco depois o criado voltou e levou-o à presença de Sua Majestade. Muito nervoso mas determinado, o pastor fez-lhe uma vénia e, olhando-o nos olhos, disse: - Majestade! Gosto muito de Antília, sua filha, e gostaria de pedir a sua mão em casamento.- A mão de minha filha, NUNCA... OUVIS-TE... NUNCA! Disse o Rei aos berros. Criado! Põe este pastor atrevido na rua. O jovem bem tentou argumentar, mas ele não o deixava falar, e expulsou-o do Castelo. Em seguida o Rei mandou chamar Antília e proibiu-a de ver o pastor. Antília mais não fez do que acatar as ordens do rei seu pai. Nessa mesma tarde foi ter com o seu amor e disse-lhe que nunca mais se podiam encontrar. Os dois jovens choraram toda a tarde abraçados. As suas lágrimas, de tantas serem, formaram duas lindas e grandes lagoas, uma verde da cor dos olhos da princesa, a outra azul da cor dos olhos do pastor. E ainda hoje estas duas lagoas continuam no Vale das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, nos Açores, para avivar a memória de todos quantos por ali passam, e recordar o drama dos dois apaixonados.

Thursday, August 16, 2007

Voltar às minhas histórias

Pois lá se passou o 13 de Agosto, sem grandes dramas nem grandes festas.
Apenas uma "mini surprise party" que me prepararam e da qual, sinceramente, não estava à espera. É que este ano não tinha grande ânimo para festas, por muitos motivos que agora não interessam para aqui contar... mas tudo correu calmamente, sem grandes euforias e sem grandes exageros. Terminou cedo, cerca das 23:30.
Agora veremos o que nos reserva o próximo ano: 2008!!!
Entretanto, retomei o meu rumo, a minha rota normal e os meus contos para a gente pequena.
Ainda sujeito a correcção, um pequeno extrato da história "A nave da Floresta Azul".
Beijos, da Princesa

Sempre que podiam, o João e a Laura, saltavam para a rua pela janela do quarto dos fundos. E porque será que faziam tal coisa? Ora, ora… como devem calcular, tendo ambos nove e onze anos de idade, respectivamente, o motivo só podia ser um: a brincadeira!
A tentação era demasiado grande. É que a altura entre o parapeito da janela e a calçada da rua principal era tão pouca (talvez uns vinte centímetros, tudo para menos e nada para mais) que o convite à maroteira era irresistível e aquele saltinho tão curto “era canja”.
E pronto, sempre que lhes dava na gana, na maioria das vezes às escondidas da mãe, lá iam eles brincar para a rua com os amiguinhos do bairro.
O Tó e o Xico moravam perto e eram os meninos que mais vezes alinhavam com eles nas brincadeiras. A mãe, nem sempre atenta e quase sempre muito atarefada, raramente dava por estas malandrices.
Quando sentia os filhos muito quietos lá em casa, pensava:
- Ricos filhos! São muito bem comportados! Certamente já estão a fazer os trabalhos da escola e a estudar as lições para amanhã fazerem boa figura na sala de aulas.
E sempre a cantarolar, lá continuava ela nas suas lides domésticas do dia a dia: fazer a comida, lavar a roupa, passar a ferro…, enfim tanta coisa.

Monday, August 13, 2007

Os cinquenta...

50 anos é de facto uma meta "mística": é a mística de lá conseguir chegar e a mística de nos aguentarmos bem daí para frente.
Já cá cheguei, agora veremos como me vou aguentar.
Ser feliz, estar com quem amo, gozar de boa saúde para andar por cá mais alguns anos com energia, são para já os meus reais desejos neste dia 13 de Agosto de 2007.
Beijos, da Princesa




Leão o 5º signo do Zodíaco
- Elemento: Fogo, Fixo
- Planeta Regente: Sol
- Príncipio: Activo
- Parte do corpo: Coração
- Estação do ano: Meio do Verão no Hemisfério Norte
- Incensos: Sândalo e Amilscar
- Pedras: Ambar
- Dia: Domingo
- Metal: Ouro
- Côr: Dourada
- Personalidade: "Adorem-me"

Monday, August 06, 2007

Happy together

É de facto bom ter a chavaleca por cá...
Felizes e contentes cá vamos nós saboreando estes momentos juntas.
A serenidade e a calma estão a passar por aqui.
Beijos,
da Princesa

Wednesday, August 01, 2007

Chavala para um lado, malas para o outro

Pois é, se tudo correr bem o encontro será hoje...
Avaria em terrra na Cidade do México e um dia de atraso de viagem!!!!
Há pouco uma chamada da pequena:
- Mã, estou em Madrid! Vemo-nos logo por volta das 20:30 em Lisboa mas, sem bagagem...
Afinal não viajou por Londres e optou por seguir, mesmo sem as malas, para Madrid pois era a única forma de garantir que chegaria hoje a Portugal.
Los equipos van llegar un poco mas tarde… ¿cuando?
Desafortunadamente no lo sabemos muy bien.
Tiene que reclamar-los y después aguardemos tranquilitas… :S
Beijos,
da Princesa